Quando eu vi Kingdom of Night pela primeira vez, esperava um indie
curioso com estética retrô. Mas o que encontrei foi uma mistura de ação,
nostalgia e terror que me prendeu mais do que eu imaginava. Lançado em 2 de
dezembro de 2025, esse título combina anos 80, horror cósmico e RPG de ação
isométrico de forma única; como se Stranger Things tivesse um primo
mais sombrio e pixelado.
Sobre o que é o jogo
No jogo, você assume o papel de John, um jovem que acorda em 1987 em
Miami, Arizona, apenas para descobrir que um culto satânico libertou uma
entidade maligna chamada Baphomet sobre a cidade. A missão? Explorar a
noite, salvar seus amigos e enfrentar legiões de demônios em um cenário aberto
e interconectado, com quests principais e secundárias que se desdobram em cada
esquina.
A narrativa tem aquele toque clássico
dos anos 80: drama adolescente, amizade, medo do desconhecido e aquela
sensação de que a próxima esquina esconde algo pior. É uma história simples,
mas eficaz, que se apoia em atmosfera e ação para te manter curioso.
Gameplay: ação firme e exploração livre
O combate em Kingdom of Night é sólido e direto, com cinco classes jogáveis — Bárbaro, Cavaleiro, Ladrão, Necromante e Feiticeiro. Cada uma tem um estilo distinto e árvores de habilidades que permitem customização interessante conforme você progride. Isso incentiva a experimentar diferentes estilos e combinações de atributos.
Os mapas são expansivos e interconectados, o que me lembrou os clássicos ARPGs isométricos: você não está preso a um caminho linear. Pode explorar, enfrentar monstros, resolver quests à sua maneira e coletar itens que reforçam seu personagem.
Uma coisa que me chamou atenção foi o combate. Ele tem ritmo e peso, mas não é perfeito — alguns controles soam um pouco travados e a interface pode se tornar confusa quando você acumula muitos itens, o que é algo que muitos reviews também apontaram como um ponto de frustração.
Visual e atmosfera: 80s sombrio com pixel art caprichado
Visualmente, Kingdom of Night aposta em pixel art que remete aos clássicos, com cenários sombreados em tons escuros, névoa espessa, ruas de cidade pequena e criaturas grotescas que parecem saídas de um pesadelo. A trilha sonora, com influência synth e inspirada nos filmes e séries dos anos 80, ajuda a criar um clima quase palpável — ao mesmo tempo nostálgico e inquietante.
A ambientação é um dos pontos mais fortes do jogo. Enquanto eu caminhava por ruas infestadas de inimigos e locais desertos sob a luz de postes antigos, senti aquela mesma sensação de curiosidade e medo que só boas histórias de horror conseguem provocar.
Pontos positivos
- Combate satisfatório e classes distintas para explorar
- Mundo aberto com quests livres e exploração encorajadora
- Atmosfera 80s realmente bem construída
- Pixel art e trilha sonora evocam nostalgia com estilo
- Modo cooperativo local é um bônus divertido
Pontos a melhorar
- A interface de inventário é confusa quando muitos itens se acumulam
- Missões secundárias podem ser difíceis de acompanhar sem marcadores claros
- A narrativa e personagens são um pouco rasos em comparação com o restante
- Alguns momentos repetitivos se prolongam mais do que o necessário
Minha experiência
Jogando Kingdom of Night, eu senti que estava equilibrando o peso da nostalgia com a adrenalina de um ARPG moderno. Não é só um título retrô — ele usa elementos clássicos para criar algo próprio, com personalidade e tensões autênticas. Em muitos momentos, me peguei explorando becos escuros e pensando “o que vem depois?”, mesmo sabendo que poderia ser um monstro grotesco esperando.
Mas também enfrentei algumas irritações. Organização de itens e tracking de
quests poderiam ser mais claros, e em certas partes o ritmo cai. Ainda assim,
para um indie com foco em atmosfera e ação, o jogo entrega uma experiência que
vale muito mais do que o preço pedido.
Veredito
Kingdom of Night é um indie que sabe exatamente o que quer ser: um RPG de ação sombrio, estilizado e cheio de nostalgia. Ele não reinventa o gênero, mas pega o que já funciona e aplica com personalidade, fazendo você sentir tanto a vibe dos anos 80 quanto o medo constante de enfrentar o desconhecido. Se você gosta de RPGs com atmosfera densa, combates que exigem estratégia e aquele toque de horror cósmico, esse é um título que merece seu tempo — mesmo com algumas falhas aqui e ali.
No final das contas, Kingdom of Night é uma noite que vale a pena sobreviver.





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