Após algumas temporadas que foram interessantes, mas não necessariamente capazes de me fazer querer largar tudo e voltar correndo para Santuário, Diablo 4: Temporada do Despertar da Morte chegou com uma mistura curiosa. Temos novas atividades, mudanças importantes nos itens Míticos, uma tentativa de deixar alguns sistemas mais diretos e, claro, uma colaboração com Overwatch que simplesmente decidiu jogar cores, espadas, mascotes e um monte de personalidade no meio do universo sombrio de Diablo.
E sabe o que é mais curioso? Funciona melhor do que eu imaginava. A Temporada do Despertar da Morte não reinventa Diablo 4, mas pega vários elementos que já conhecemos, mexe neles e cria uma temporada que consegue dar novos motivos para continuar jogando. Vamos conferir.
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O Culto da Morte acordou Santuário
A base da temporada gira em torno do Culto da Morte e das Rupturas do Pandemônio. A ideia é simples: essas fendas começam a aparecer por Santuário, especialmente durante as Marés Infernais, trazendo monstros, eventos e recompensas para quem decidir entrar na bagunça.
É o tipo de atividade que combina bem com o ritmo de Diablo. Você encontra a Ruptura, começa a matar tudo que aparece pela frente e precisa manter a carnificina funcionando para continuar recebendo recompensas. Quanto melhor você lida com o caos, mais coisas consegue acumular.
As Rupturas também aparecem em versões diferentes. Temos as normais espalhadas pelo mundo, as Crescentes, que podem surgir durante eventos locais das Marés Infernais, e as Colossais, que levam a brincadeira para uma escala maior.
É aquela lógica clássica de Diablo: apareceu coisa para matar? Mata. Apareceu mais coisa? Mata também. Apareceu um chefe? Aí você aperta os botões um pouco mais forte.
Andarilhos de Reinos finalmente acordaram
Uma das mudanças que considero mais interessantes da Temporada do Despertar da Morte está nos Andarilhos de Reinos.
Antes, eles tinham aquela presença que, em teoria, deveria ser gigantesca. Na prática, porém, muitas vezes a experiência era mais próxima de acompanhar um inimigo enorme fazendo turismo por Santuário. Agora a coisa ficou mais direta.
Os Andarilhos foram reformulados e, quando aparecem, a luta começa sem tanta enrolação. Eles também estão mais perigosos e ganharam novas habilidades, o que ajuda a transformar o encontro em algo que realmente parece uma atividade e não apenas uma pausa no caminho.
Ao derrotá-los, ainda temos acesso à Câmara do Tributo Fúnebre, uma atividade em que precisamos continuar lutando para expandir o círculo ritual e melhorar as recompensas. Se o ritmo cai, o círculo também. É quase Diablo dizendo: "não para agora, porque eu quero ver você cansar primeiro".
Os itens Míticos ganharam uma nova vida
Uma das mudanças mais importantes da temporada está na reformulação dos itens Míticos.
Agora, o sistema permite trabalhar com itens Únicos e transformá-los em Míticos, abrindo novas possibilidades para builds e deixando a caça por equipamentos mais interessante. Para mim, esse tipo de mudança conversa muito bem com aquilo que Diablo 4 precisa fazer em suas temporadas: não necessariamente inventar um sistema completamente novo toda vez, mas melhorar aquilo que já existe e fazer com que o jogador tenha novos motivos para experimentar.
O Cubo Horádrico também entra nessa brincadeira e utiliza Fragmentos do Pandemônio obtidos durante as atividades da temporada. É mais uma camada para quem gosta de brincar com builds e procurar aquela combinação que, eventualmente, fará você olhar para a tela e pensar: "tá, isso aqui ficou absurdo".
Também existem mudanças na forma como itens Únicos, Únicos Míticos e Míticos Icônicos trabalham seus atributos, buscando preservar a identidade desses equipamentos enquanto abre mais espaço para personalização.
A Torre e o desafio para quem quer provar alguma coisa
A Torre e as tabelas de classificação também recebem uma atenção importante nesta temporada.
Para quem gosta de simplesmente montar sua build e sair explodindo tudo sem se preocupar muito com números, talvez essa parte não seja o principal motivo para jogar. Mas para quem gosta de testar até onde consegue levar seu personagem, ter uma estrutura de classificação e recompensas ajuda a criar um objetivo extra.
Além da progressão normal, a temporada também inclui recompensas para quem alcança determinados ranques, com títulos e Auréolas que acompanham o desempenho do jogador.
Também temos o modo Autossuficiência Solo, pensado para quem quer encarar Santuário sem grupo e sem comércio com outros jogadores. Aqui, você está por conta própria. Nada de pedir ajuda, nada de receber aquele item salvador de um amigo e nada de colocar a culpa no grupo quando a build não funciona.
É você, sua build e uma quantidade considerável de demônios querendo acabar com sua existência.
Quando Overwatch invadiu Santuário
Mas vamos falar da parte que provavelmente causou mais estranhamento à primeira vista: Diablo 4 x Overwatch.
Quando pensamos em Diablo, a primeira imagem é aquela mistura de sangue, demônios, igrejas abandonadas, criaturas bizarras e uma quantidade saudável de sofrimento. Overwatch, por outro lado, consegue colocar uma garota em patins, um gorila cientista e um robô ninja na mesma equipe e ninguém acha estranho.
Juntar esses dois universos poderia facilmente parecer uma propaganda jogada dentro do jogo. Só que a colaboração funciona justamente porque não tenta simplesmente copiar e colar Overwatch em Diablo 4.
Os visuais foram adaptados para as classes de Santuário, permitindo que personagens como Reinhardt, Roadhog, Reaper, Mercy, Genji, Kiriko e Moira ganhem versões que conversam, de maneiras diferentes, com esse universo.
Algumas adaptações ficaram mais naturais que outras e é justamente aí que a collab fica divertida. O Reaper como uma espécie de lobo elegante combina surpreendentemente bem com Diablo. A Moira como Feiticeira também parece alguém que poderia estar circulando por Santuário há anos sem levantar muitas suspeitas.
Já outras escolhas abraçam mais o choque entre os universos. E eu gosto disso. Se é para fazer uma collab, deixa ela aparecer. Não precisa transformar todo personagem em alguém coberto de lama, sangue e couro para fingir que Overwatch nunca existiu.
Além dos visuais pagos, a colaboração também trouxe um Relicário gratuito de Overwatch, com recompensas como a Wakizashi de Genji e a mascote Kitsune da Kiriko. Essa parte é particularmente bem-vinda porque permite que todo mundo participe da colaboração sem precisar abrir a carteira.
Uma temporada que entende melhor o ritmo de Diablo 4
Para mim, o maior acerto da Temporada do Despertar da Morte não está necessariamente em uma única mecânica.
É o conjunto.
As Rupturas dão mais coisas para fazer pelo mundo. Os Andarilhos de Reinos finalmente parecem ter sido transformados em algo mais interessante. A Câmara do Tributo Fúnebre adiciona mais uma atividade para entrar naquele ciclo de matar, melhorar o personagem e procurar equipamentos melhores.
Enquanto isso, as mudanças nos itens Míticos ajudam a dar uma renovada na construção das builds, e a Torre oferece um objetivo para quem quer levar a brincadeira além do simples "meu personagem mata tudo rápido".
Não é uma temporada que tenta reinventar Santuário. E, sinceramente, talvez nem precisasse.
Diablo 4 já tem sistemas suficientes para administrar. O que ele precisa é fazer com que esses sistemas conversem melhor entre si e continuem dando ao jogador a sensação de que sempre existe alguma coisa interessante para buscar.
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O que cada versão do Passe de Batalha oferece?
Antes de falar da conclusão, vale explicar uma das mudanças mais importantes na forma como Diablo 4 trabalha seu Passe de Batalha. Em vez de uma única trilha tradicional, agora temos os Relicários.
Existe o Relicário gratuito da temporada e outros Relicários Premium, focados em Armadura, Feras e Armas. A ideia é permitir que o jogador escolha quais recompensas quer priorizar usando o Favor conquistado durante a jogatina.
Passe de Batalha Gratuito
O conteúdo gratuito já oferece uma quantidade bem interessante de cosméticos. Nesta temporada, temos três transmogrificações de armas, um portal da cidade, uma montaria, uma armadura de montaria e 200 de Platina distribuídos em duas recompensas de 100.
Para quem não pretende gastar dinheiro, já existe conteúdo suficiente para acompanhar a temporada e ganhar alguns cosméticos interessantes.
Pacote de Passe de Batalha Premium
O Pacote Premium custa 1.000 de Platina e libera o acesso aos três Relicários Premium: Armas, Feras e Armadura.
Comprando os Relicários individualmente, o custo seria maior. O pacote reúne tudo e representa uma economia de 500 de Platina em comparação com a compra separada.
Além disso, ao completar os Relicários Premium, você também consegue uma peça do conjunto de armadura Redentor Alado.
Usando como referência o preço atual de 1.000 de Platina nas lojas brasileiras, o investimento fica em torno de R$ 52, embora o valor possa variar dependendo da plataforma.
Pacote de Passe de Batalha Deluxe
Já o Pacote Deluxe custa 2.800 de Platina e inclui tudo do Premium, mas adiciona o desbloqueio imediato do conjunto completo Redentor Alado para todas as classes.
Também entram no pacote a mascote Ínfero e as Asas do Redentor, um item cosmético reativo que combina com o conjunto.
Considerando o pacote atual de 2.800 de Platina vendido no Brasil, o valor fica em torno de R$ 130.
Aqui eu acho que a decisão é bem simples. O Premium faz sentido para quem realmente quer os Relicários e pretende completar as recompensas. O Deluxe é para quem olha para a armadura, para as asas e para a mascote e simplesmente decide: "sim, eu preciso disso na minha conta agora".
Vale a pena jogar a Temporada do Despertar da Morte?
Sim, principalmente para quem já gosta da estrutura atual de Diablo 4 e queria mais motivos para continuar explorando Santuário.
A Temporada do Despertar da Morte não muda completamente o jogo, mas faz algo que considero mais importante neste momento: melhora atividades existentes, adiciona novas possibilidades para o endgame e mexe em sistemas que podem influenciar diretamente a forma como montamos nossas builds.
As Rupturas funcionam bem dentro do ritmo do game, os Andarilhos de Reinos finalmente ganharam uma presença mais interessante e as mudanças nos itens Míticos dão mais espaço para experimentar.
Mas, para mim, a colaboração com Overwatch também merece destaque. Não apenas porque são dois universos da Blizzard que gosto bastante, mas porque a equipe conseguiu criar algo que parece uma colaboração de verdade. Algumas skins se encaixam naturalmente em Diablo, outras fazem questão de mostrar de onde vieram e isso é justamente parte da diversão.
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No final, essa temporada me parece uma boa mistura entre aquilo que Diablo 4 já sabe fazer e algumas mudanças que ajudam a manter a experiência viva. Não é necessário reinventar o Inferno toda vez. Às vezes basta abrir uma Ruptura, jogar alguns monstros novos na tela, melhorar o sistema de equipamentos e, aparentemente, colocar o Genji para passear por Santuário.
E, convenhamos, depois que você está montado em um dragão de energia meio cavalo, fica difícil reclamar que Diablo 4 não sabe mais se divertir.












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