Um tribunal digital e um crime bizarro
Essa premissa, à primeira vista improvável, acaba funcionando como motor narrativo: ela cria tensão, dúvidas e um senso de urgência para descobrir a verdade por trás de cada personagem envolvido. Jogando, tive constantemente a sensação de estar invadindo um espaço íntimo. O contraste entre a persona virtual alegre e a pessoa real por trás da câmera é o fio condutor da narrativa, levantando questões sobre pressão, identidade, expectativas do público e os limites entre personagem e indivíduo.
Investigação e lógica em vez de ação
O jogo se apresenta como uma combinação de visual novel e aventura
investigativa. Não há combates frenéticos ou fases de plataforma — tudo gira
em torno de diálogos, escolhas, coleta de evidências e confrontos no tribunal.
Cada testemunho pode esconder mentiras, cada prova pode ser usada para
desmontar um argumento adversário e cada decisão pode mudar o rumo do
julgamento.
Como fã de narrativas bem estruturadas, gostei de como
o jogo te força a prestar atenção em cada detalhe: uma contradição no
depoimento aqui, uma evidência suspeita ali. A sensação de “montar o
quebra-cabeça” da história é um dos pontos mais satisfatórios da experiência.
Essa escolha funciona bem dentro da proposta. A ausência de mecânicas
complexas ajuda a manter o foco na história e na ambientação, algo essencial
para que o impacto emocional não se perca.
Um mundo de vtubers que não imaginávamos
A narrativa também levanta reflexões interessantes sobre identidade digital, persona e o que chamamos de “realidade” quando se trata de pessoas que se apresentam através de avatares. Mesmo que o jogo não se proponha a responder essas questões profundamente, ele usa esse contexto para dar mais peso às escolhas do jogador.
A ambientação é outro destaque. Ambientes claustrofóbicos, iluminação fria e uma trilha sonora discreta, mas inquietante, ajudam a criar uma sensação constante de tensão. Mesmo nos momentos mais calmos, existe sempre a impressão de que algo está fora do lugar.
Vale a pena jogar?
The Real Face of a VTuber tem vários pontos fortes: uma premissa
inusitada, personagens memoráveis, ritmo bem balanceado entre drama e humor e
um sistema de investigação que recompensa atenção aos detalhes.
Por outro lado, jogadores que preferem ação direta podem achar o
ritmo lento ou repetitivo, já que grande parte do tempo é gasto em diálogos e
leitura. O apelo principal está na narrativa e nas escolhas, não em
jogabilidade tradicional.
Para mim,
The Real Face of a VTuber é uma das propostas mais interessantes que vi
recentemente envolvendo VTubers — não por ser superficialmente sobre avatars,
mas por usar esse universo como pano de fundo para um mystery investigativo
profundo e cativante. Se você gosta de jogos que valorizam história, escolhas
significativas e lógica narrativa, este título merece um lugar na sua
wishlist.






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