Review: RIN The Last Child

Contos de fadas nem sempre terminam com um beijo de amor verdadeiro. Em RIN: The Last Child, a fantasia ganha contornos sombrios, com magia, criaturas monstruosas e uma família divina que está longe de ser um exemplo de harmonia familiar. O resultado é um metroidvania que aposta na exploração e, principalmente, na criação de feitiços para diferenciar sua aventura.

Desenvolvido pela Space Fox Games, o jogo coloca o jogador no controle de Rin, a sexta filha do Criador, em uma jornada para restaurar a ordem de um mundo místico. A inspiração vem de mitos antigos, especialmente da história de Cronos e do conflito com seus próprios filhos. Aqui, porém, a missão envolve enfrentar os irmãos transformados em poderosos chefes.

Um conto de fadas com uma dose de fantasia sombria

A história de RIN: The Last Child acompanha a protagonista em uma jornada para compreender seu papel naquele mundo e enfrentar as consequências dos acontecimentos envolvendo sua família. A premissa mistura mitologia, magia e fantasia sombria, criando um cenário que contrasta com a aparência delicada da personagem.

O jogo aposta na ambientação e nos mistérios espalhados pelo mundo para conduzir a aventura. Ao longo da exploração, o jogador encontra criaturas hostis, segredos e elementos narrativos que ajudam a compreender aquele universo.

A proposta tem potencial, especialmente para quem gosta de histórias fantásticas com uma atmosfera mais melancólica. Ainda assim, a narrativa não parece ser o elemento mais forte da experiência. A ideia inicial é interessante, mas seu desenvolvimento pode deixar a desejar para quem espera personagens muito aprofundados ou uma história capaz de surpreender a cada etapa.

Exploração metroidvania e um mapa gigantesco


Como um bom metroidvania, RIN: The Last Child apresenta um mundo interconectado, com caminhos bloqueados por habilidades que Rin precisa adquirir durante a aventura. Explorar, encontrar novos poderes e retornar a áreas anteriores faz parte do ciclo central do jogo.

O problema é que um mapa grande nem sempre significa uma exploração bem organizada. Existe uma dificuldade de identificar áreas ainda não exploradas, ausência de marcadores personalizados e a navegação pouco intuitiva em determinados momentos.

Quando o mapa não ajuda a entender para onde ir, revisitar regiões pode deixar de ser uma oportunidade de descobrir segredos e virar uma sessão de procura pela porta que passou despercebida. Para um gênero tão dependente da exploração, essa é uma limitação importante.

Criação de feitiços é o grande diferencial

Se a exploração segue uma estrutura conhecida, o sistema mágico é o elemento que mais chama a atenção. Rin pode coletar aspectos e runas para criar feitiços, combinando componentes e aprimoramentos para desenvolver diferentes formas de ataque.

O sistema permite desmontar feitiços e reutilizar seus componentes em novas combinações. Isso incentiva a experimentação e oferece liberdade para adaptar as habilidades às situações encontradas durante a aventura. A possibilidade de alternar rapidamente entre conjuntos de magias também ajuda a tornar o combate mais versátil.

Na teoria, é uma excelente ideia para um metroidvania protagonizado por uma feiticeira. O problema é que a variedade de ferramentas só faz diferença quando o jogo oferece motivos para utilizá-las. Nesse bolo, os confrontos comuns podem ser simples demais, diminuindo o incentivo para experimentar combinações diferentes.

Em outras palavras, o jogo oferece um laboratório mágico interessante, mas nem sempre os inimigos parecem dispostos a exigir que o jogador use tudo o que aprendeu.

Combate, inimigos e batalhas contra chefes

Durante a jornada, Rin enfrenta criaturas menores, como slimes e mosquitos, além de monstros maiores e mais ameaçadores. Os confrontos principais acontecem contra cinco chefes, que são os irmãos transformados da protagonista.

Essas batalhas deveriam representar os momentos de maior destaque da aventura, exigindo preparação e escolhas inteligentes de feitiços. Nesse momento nos deparamos com outro detalhe com o passar do game: pouca variedade entre os inimigos, combates repetitivos e chefes que nem sempre aproveitam todo o potencial do sistema mágico.

A movimentação e a precisão das plataformas também são pontos de atenção. Nessa jornada podemos encontrar problemas de colisão e execução dos saltos, algo especialmente frustrante em um jogo no qual alcançar plataformas e navegar por passagens estreitas faz parte da experiência.

Essas limitações não anulam o potencial do sistema de magia, mas prejudicam a integração entre exploração e combate. Afinal, não adianta ter dezenas de combinações de feitiços se os confrontos não oferecem desafios interessantes para colocá-las à prova.

Visual delicado em um mundo sombrio

Visualmente, RIN: The Last Child aposta em personagens estilizados e cenários de fantasia com uma atmosfera sombria. O contraste entre a protagonista e as criaturas que habitam esse universo ajuda a estabelecer a identidade do jogo.

A direção artística é um dos aspectos elogiados por parte dos jogadores, e funciona como um dos principais atrativos da aventura. Entretanto, há críticas à diferenciação visual de algumas regiões e à variedade dos inimigos, que poderiam contribuir mais para tornar cada ambiente memorável.

É uma base estética interessante, mas que nem sempre recebe o mesmo cuidado em todos os elementos. O resultado tem personalidade, embora não alcance todo o potencial sugerido por sua proposta.

Vale a pena jogar RIN: The Last Child?


RIN: The Last Child tem boas ideias. A ambientação de fantasia sombria, a inspiração mitológica e o sistema de criação de feitiços dão ao jogo uma identidade própria. Para quem gosta de explorar mapas interconectados e experimentar habilidades mágicas, existe aqui uma proposta que merece atenção.

Por outro lado, a navegação pouco intuitiva, a repetição dos combates e os problemas técnicos relatados por jogadores prejudicam a experiência. A aventura parece mais interessante no conceito do que na execução de alguns de seus sistemas, e isso pesa especialmente em um gênero no qual movimentação, exploração e progressão precisam funcionar em conjunto.

No fim, RIN: The Last Child é um metroidvania com boas ideias, mas que tropeça em aspectos importantes da execução. Vale considerar para quem tem interesse em fantasia sombria e sistemas de magia, preferencialmente após conferir avaliações recentes e o preço disponível. Para quem procura um metroidvania extremamente polido, com combate variado e exploração bem sinalizada, há ressalvas importantes a considerar.

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