Existe algo deliciosamente errado em CULTIC. O jogo olha para os FPS clássicos dos anos 90, pega a velocidade, as armas exageradas e a violência sem cerimônia daquela época, mistura tudo com cultos macabros e uma atmosfera de terror e ainda encontra espaço para colocar bastante liberdade nas mãos do jogador. O resultado é um daqueles jogos que não precisam reinventar o gênero para chamar atenção. Ele simplesmente entende muito bem por que os antigos shooters eram tão divertidos. E agora, com sua chegada aos consoles, chegou a hora de descobrir se esse culto merece uma visita.
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O que é CULTIC?
Desenvolvido por Jasozz Games e publicado por 3D Realms e Atari, CULTIC é um FPS retrô que mistura a velocidade dos chamados boomer shooters com elementos de terror e sobrevivência.
A história começa de maneira bastante direta: você está morto. Felizmente, isso parece ser apenas um pequeno contratempo. Ao sair do próprio túmulo, o protagonista parte para enfrentar um culto misterioso armado com pistolas, rifles, explosivos e uma disposição aparentemente ilimitada para transformar qualquer cultista que apareça pela frente em um problema a menos.
A primeira campanha leva o jogador para uma versão rural dos Estados Unidos dos anos 1960, passando por postos avançados de cultos, catacumbas, asilos abandonados e outros locais que definitivamente não entrariam na minha lista de destinos para passar férias.
Mas a versão atualmente disponível no Xbox vai além do primeiro capítulo. O pacote inclui também Chapter Two, Interlude, mapas do modo Survival e o mapa bônus Cultmas, formando uma experiência consideravelmente mais completa do que aquela que chegou originalmente ao PC.
Gameplay: velocidade, estratégia e muita pólvora
A primeira coisa que chama atenção em CULTIC é a liberdade oferecida durante os combates. O jogo não obriga o jogador a escolher entre simplesmente correr e atirar ou adotar uma abordagem mais cuidadosa. As duas possibilidades estão presentes, e o arsenal permite alternar entre elas conforme a situação.
É possível avançar rapidamente, saltar, deslizar e esquivar enquanto dispara contra os inimigos. Mas também existe espaço para uma postura mais estratégica, utilizando cobertura, armadilhas e explosivos para controlar os confrontos.
Essa variedade é importante porque os inimigos não estão ali apenas para servir de alvo. Alguns confrontos exigem movimentação constante, enquanto outros favorecem uma preparação mais cuidadosa. O jogo recompensa quem aprende a utilizar o ambiente e escolher a ferramenta certa em vez de simplesmente descarregar toda a munição disponível.
E existe bastante coisa para descarregar.
O arsenal utiliza armas inspiradas em modelos de meados do século XX, criando uma identidade diferente daquela encontrada em shooters que apostam em rifles futuristas e armas completamente fictícias. Pistolas, espingardas, rifles e explosivos formam um conjunto bastante tradicional, mas o comportamento delas e a violência dos combates fazem com que cada disparo tenha presença.
É justamente aqui que CULTIC mostra uma de suas maiores qualidades: o combate não depende apenas de velocidade, mas de domínio das ferramentas disponíveis. O jogador pode construir seu próprio ritmo e encontrar maneiras diferentes de lidar com os mesmos perigos.
Exploração também faz parte do combate
Apesar de toda a carnificina, CULTIC não foi construído como uma sequência de corredores onde basta caminhar até a próxima arena. A exploração possui importância real.
Os mapas são cheios de caminhos alternativos, áreas escondidas, segredos e recursos que recompensam quem se dá ao trabalho de olhar além do caminho mais óbvio. O próprio design de níveis segue uma proposta mais realista, sem depender daquela geometria impossível tão comum em alguns jogos inspirados nos clássicos.
Isso também contribui para a atmosfera. Uma sala aparentemente abandonada pode esconder alguma coisa, enquanto um caminho secundário pode levar a um recurso importante ou a uma surpresa. O jogo consegue, assim, criar uma pequena tensão entre a vontade de avançar e aquela outra voz na cabeça dizendo: "e se tiver alguma coisa ali?"
O terror funciona justamente porque o jogo não abandona o FPS
CULTIC não tenta transformar cada encontro em uma experiência de horror de sobrevivência tradicional. O jogador é poderoso e possui armas suficientes para causar um estrago considerável. Ainda assim, a atmosfera consegue criar desconforto.
O cenário rural, os cultistas, os ambientes abandonados e a direção de áudio ajudam a construir uma sensação de pesadelo constante. A influência de Blood é bastante evidente, especialmente na combinação entre ocultismo, violência e humor sombrio, mas CULTIC consegue desenvolver sua própria identidade.
O segundo capítulo amplia essa proposta ao levar a aventura para New Grandewel, uma cidade devastada e infestada por cultistas. Além de mapas maiores, a campanha adiciona novos inimigos, armas, uma nova trilha sonora e alterações em algumas mecânicas de movimentação.
É uma expansão que não se limita a jogar mais fases em cima da campanha original. A mudança de cenário ajuda a renovar a experiência e mostra que a ideia tinha espaço para crescer.
Visual e áudio
Visualmente, CULTIC encontra sua identidade em uma mistura curiosa de sprites 2D e voxels dentro de ambientes 3D. O resultado remete imediatamente à estética dos shooters antigos, mas possui detalhes suficientes para não parecer simplesmente um jogo antigo perdido no tempo.
A direção de arte também trabalha muito bem com o terror. Os ambientes têm uma aparência suja e decadente, enquanto os inimigos conseguem transmitir uma sensação de estranheza mesmo quando estão prestes a virar uma nuvem de sangue depois de uma explosão.
O áudio é outro componente fundamental. A trilha sonora ajuda a construir o clima de cada região e os efeitos de armas e impactos reforçam a sensação física dos combates. Não é apenas uma camada decorativa: o design sonoro contribui para fazer o mundo parecer mais ameaçador.
CULTIC no Xbox Series X|S
A versão para Xbox Series X|S chegou em 23 de julho de 2026 e traz suporte a 4K Ultra HD, conquistas, salvamento na nuvem e Xbox Play Anywhere. O jogo também aparece como otimizado para os consoles da geração atual.
Para quem chega agora ao jogo, existe uma vantagem importante: o lançamento para Xbox já reúne praticamente toda a experiência disponível. Em vez de comprar uma versão inicial e posteriormente acompanhar expansões, o jogador encontra no pacote o primeiro capítulo, o segundo capítulo, Interlude, os mapas de Survival e o conteúdo bônus Cultmas.
O ponto que merece atenção é o controle. CULTIC nasceu no PC e sua jogabilidade exige movimentação rápida, troca de armas e uso constante de esquivas e explosivos. A adaptação para controle precisa, portanto, ser bastante precisa para preservar essa agilidade.
Há relatos recentes de jogadores apontando limitações nas opções de personalização dos controles nas versões de console em comparação com o PC. Isso não necessariamente impede uma boa experiência, mas é uma diferença relevante para quem gosta de ajustar cada botão ao próprio estilo de jogo.
O que CULTIC faz bem?
Combate com liberdade
Correr e atirar funciona, mas não é a única resposta. A possibilidade de combinar movimentação, armas, explosivos, armadilhas e posicionamento deixa os combates mais interessantes.
Atmosfera de terror
A ambientação consegue misturar horror e ação sem transformar o jogo em um FPS lento. O resultado é um terror mais agressivo, onde o medo muitas vezes dá lugar à adrenalina.
Design de níveis
Os mapas recompensam exploração e curiosidade. Encontrar segredos e caminhos alternativos faz parte da experiência e ajuda a evitar que a campanha se transforme simplesmente em uma sucessão de arenas.
Conteúdo
A edição atualmente disponível no Xbox oferece uma quantidade bastante generosa de conteúdo, especialmente quando consideramos as duas campanhas, Interlude e os modos adicionais.
O que poderia melhorar?
A principal ressalva para quem chega pelo Xbox está relacionada às opções de controle. Jogadores acostumados à liberdade de configuração encontrada no PC podem sentir falta de uma personalização mais ampla nos consoles. Há também relatos recentes de problemas técnicos na versão Xbox para PC, incluindo falhas de controles e opções gráficas após uma atualização, embora isso seja específico da versão para PC associada ao ecossistema Xbox e não deva ser automaticamente tratado como um problema do Xbox Series X|S.
Também existe uma curva de aprendizado natural. CULTIC não é um FPS moderno interessado em colocar o jogador dentro de um corredor e cuidar de tudo por ele. A movimentação, a exploração e o gerenciamento do arsenal fazem parte da brincadeira. Para quem não está acostumado aos boomer shooters, os primeiros combates podem exigir alguma adaptação.
Mas isso está mais próximo de uma característica do gênero do que de um defeito. CULTIC quer que o jogador aprenda a jogar bem, e não apenas a terminar as fases.
Curiosidades sobre CULTIC
- Jasozz Games é responsável pelo desenvolvimento do jogo, enquanto Atari, Infogrames e 3D Realms aparecem como publicadoras na versão Xbox.
- A inspiração em Blood, clássico de 1997, é bastante perceptível, mas CULTIC constrói sua própria mistura de FPS retrô e terror.
- Uma fase possui um cinema com pôsteres de jogos publicados pela 3D Realms, incluindo Coven, Ion Fury: Aftershock e Graven.
- O modo Survival permite disputar posições nas tabelas de classificação.
- A versão Xbox recebeu o jogo completo em 23 de julho de 2026, incluindo Chapter One, Chapter Two, Interlude, mapas de Survival e Cultmas.
Para quem recomendo CULTIC?
Eu recomendaria CULTIC principalmente para quem sente falta dos FPS clássicos ou para quem descobriu recentemente os boomer shooters e quer conhecer um dos exemplos mais interessantes dessa onda moderna.
Também é uma boa pedida para quem gosta de Blood, terror sobrenatural, exploração de mapas e combates que permitem improvisação. O pacote atual também favorece bastante quem procura uma experiência single-player completa, já que existe uma quantidade considerável de conteúdo reunida em um único lançamento.
Por outro lado, se a sua preferência está nos shooters modernos extremamente guiados, com movimentação mais lenta ou foco quase absoluto em narrativa cinematográfica, CULTIC pode exigir uma mudança de ritmo.
Vale a pena jogar CULTIC?
CULTIC é uma ótima lembrança de que um FPS não precisa de uma árvore de habilidades gigantesca, dezenas de armas futuristas ou um mapa aberto para ser divertido. Ele pega a fórmula clássica, coloca uma atmosfera de terror bastante competente por cima e deixa o jogador resolver seus problemas da maneira mais barulhenta possível.
A chegada ao Xbox Series X|S é especialmente interessante porque coloca em um único pacote as duas campanhas, conteúdos extras e modos adicionais. Para quem nunca experimentou o jogo, é uma oportunidade bem mais completa de entrar nesse culto sem precisar montar o quebra-cabeça das versões anteriores.
As limitações de configuração de controles nas versões de console merecem atenção, principalmente para quem vem do PC. Ainda assim, o conjunto continua muito atraente para quem procura um FPS rápido, brutal e cheio de segredos.
No fim, CULTIC entende algo que muitos jogos modernos parecem esquecer: às vezes tudo que eu quero é uma arma na mão, um corredor escuro pela frente e a certeza de que alguma coisa horrível vai aparecer quando eu virar a próxima esquina. A diferença é que, aqui, a coisa horrível provavelmente vai descobrir primeiro que eu também trouxe dinamite.


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